quinta-feira, 26 de março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
Dia Mundial da Poesia
Um dia descobriu que a mão esquerda
era mais emotiva e mais ausente:
dedilhava por dentro o que era perda
e sondava por fora o inexistente.
E descobriu que quanto mais isento
o acorde se tornava, e delicado,
tanto mais se ordenava o movimento
da música de fundo no teclado.
E viu-se de repente entretecido
no mais difícil, no desvão do espaço,
quando as notas colhiam seu sentido
nas formas invisíveis do compasso.
Sentiu-se solidário na partida
e chorou solitário na aventura,
como se em cada coisa a própria vida
se lhe escapasse numa partitura.
E foi aí que se sentiu restrito,
que se fez de silêncio e de resvalo:
a mão esquerda desdobrava o mito
e dedilhava as sombras do intervalo.
Gilberto Mendonça Teles (Brasil, n. 1931-)
sexta-feira, 20 de março de 2009
Recordando...
Publicada no jornal Defesa de Espinho de 28/12/2006

